Cidades

Pastor relata conflitos entre casal assassinado e réu durante júri do serial killer de Maceió

Testemunha afirmou que Albino dos Santos Lima foi advertido por suspeitas de filmar uma das vítimas sem autorização

Por Lucas França com Tribuna Hoje 22/10/2026 11h44 - Atualizado em 22/10/2026 12h31
Pastor relata conflitos entre casal assassinado e réu durante júri do serial killer de Maceió
Albino dos Santos, serial killer de Maceió - Foto: Sandro Lima

O julgamento de Albino dos Santos Lima, conhecido como “serial killer de Maceió”, começou na manhã desta quinta-feira (22), no Fórum do Barro Duro, em Maceió. Na sessão do 10º Tribunal do Júri, a primeira testemunha ouvida foi o pastor José Luiz, que conhecia o acusado e as vítimas Débora Vitória Silva dos Santos e John Lenno Santos Ferreira por frequentarem a mesma igreja.

O casal foi morto a tiros em dezembro de 2023, na Rua Formosa, no bairro da Levada, na capital alagoana. Conforme as informações apresentadas sobre o crime, John Lenno foi atingido por quatro disparos na cabeça e um no ombro. Débora foi baleada no abdômen.

Durante o depoimento, o pastor contou que as vítimas participavam do grupo de louvor da igreja havia cerca de um ano e seis meses. Albino também frequentava o grupo, embora não comparecesse a todos os encontros.

Foto: MPAL



Segundo José Luiz, o acusado e John Lenno tiveram desentendimentos durante esse período. Um dos episódios relatados envolveu a suspeita de que Albino teria filmado Débora com um celular sem o consentimento dela. O pastor disse que chamou o réu para conversar, acompanhado da esposa, mas ele negou a acusação.

“Certo dia, John Lenno me procurou para dizer que o Albino estava gravando a esposa dele pelo celular. Então, junto com minha esposa, chamei o Albino para conversar e ele negou. Como pastor, repreendi e ele ficou muito furioso sobre isso”, relatou a testemunha.

O líder religioso também contou que John Lenno voltou a procurá-lo para reclamar do comportamento de Albino em relação a uma menina que frequentava a igreja. Após novas advertências, o acusado teria deixado de participar dos encontros cerca de duas semanas depois.

Ainda conforme o depoimento, Albino costumava andar armado dentro da igreja e justificava o porte dizendo que sofria ameaças e precisava se proteger.

Pastor relata reação após assassinatos


José Luiz afirmou que Albino voltou a frequentar a igreja aproximadamente 15 dias depois da morte do casal. Segundo ele, o acusado aparentava estar feliz e fez comentários relacionando o crime a uma suposta compra de motocicleta roubada pelas vítimas.

“Após o crime, uns 15 dias depois, ele voltou a frequentar a igreja. Chegou aparentando estar feliz com a morte, dizendo: ‘Está vendo aí, foi comprar moto roubada, deu no que deu’”, declarou.

Foto: Sandro Lima



A testemunha disse ainda que passou a desconfiar do possível envolvimento de Albino nos assassinatos após a morte de Ana Beatriz, no bairro Vergel do Lago. De acordo com o pastor, imagens de câmeras de segurança mostraram o suspeito do crime, e pessoas próximas às vítimas identificaram semelhanças com o acusado.

Décimo julgamento


Albino dos Santos Lima já foi condenado nove vezes por crimes cometidos em Maceió. As penas somadas chegam a 234 anos, dois meses e 13 dias de prisão.

O novo julgamento ocorre após a condenação recebida em 7 de outubro, quando ele foi sentenciado a mais 30 anos de reclusão pelo assassinato de Mikaele Leite da Silva, de 21 anos, no Vergel do Lago.

A sessão desta quinta-feira é o décimo julgamento do réu por homicídios atribuídos a ele na capital alagoana.