Cidades
Pastor relata conflitos entre casal assassinado e réu durante júri do serial killer de Maceió
Testemunha afirmou que Albino dos Santos Lima foi advertido por suspeitas de filmar uma das vítimas sem autorização
O julgamento de Albino dos Santos Lima, conhecido como “serial killer de Maceió”, começou na manhã desta quinta-feira (22), no Fórum do Barro Duro, em Maceió. Na sessão do 10º Tribunal do Júri, a primeira testemunha ouvida foi o pastor José Luiz, que conhecia o acusado e as vítimas Débora Vitória Silva dos Santos e John Lenno Santos Ferreira por frequentarem a mesma igreja.
O casal foi morto a tiros em dezembro de 2023, na Rua Formosa, no bairro da Levada, na capital alagoana. Conforme as informações apresentadas sobre o crime, John Lenno foi atingido por quatro disparos na cabeça e um no ombro. Débora foi baleada no abdômen.
Durante o depoimento, o pastor contou que as vítimas participavam do grupo de louvor da igreja havia cerca de um ano e seis meses. Albino também frequentava o grupo, embora não comparecesse a todos os encontros.

Segundo José Luiz, o acusado e John Lenno tiveram desentendimentos durante esse período. Um dos episódios relatados envolveu a suspeita de que Albino teria filmado Débora com um celular sem o consentimento dela. O pastor disse que chamou o réu para conversar, acompanhado da esposa, mas ele negou a acusação.
“Certo dia, John Lenno me procurou para dizer que o Albino estava gravando a esposa dele pelo celular. Então, junto com minha esposa, chamei o Albino para conversar e ele negou. Como pastor, repreendi e ele ficou muito furioso sobre isso”, relatou a testemunha.
O líder religioso também contou que John Lenno voltou a procurá-lo para reclamar do comportamento de Albino em relação a uma menina que frequentava a igreja. Após novas advertências, o acusado teria deixado de participar dos encontros cerca de duas semanas depois.
Ainda conforme o depoimento, Albino costumava andar armado dentro da igreja e justificava o porte dizendo que sofria ameaças e precisava se proteger.
Pastor relata reação após assassinatos
José Luiz afirmou que Albino voltou a frequentar a igreja aproximadamente 15 dias depois da morte do casal. Segundo ele, o acusado aparentava estar feliz e fez comentários relacionando o crime a uma suposta compra de motocicleta roubada pelas vítimas.
“Após o crime, uns 15 dias depois, ele voltou a frequentar a igreja. Chegou aparentando estar feliz com a morte, dizendo: ‘Está vendo aí, foi comprar moto roubada, deu no que deu’”, declarou.

A testemunha disse ainda que passou a desconfiar do possível envolvimento de Albino nos assassinatos após a morte de Ana Beatriz, no bairro Vergel do Lago. De acordo com o pastor, imagens de câmeras de segurança mostraram o suspeito do crime, e pessoas próximas às vítimas identificaram semelhanças com o acusado.
Décimo julgamento
Albino dos Santos Lima já foi condenado nove vezes por crimes cometidos em Maceió. As penas somadas chegam a 234 anos, dois meses e 13 dias de prisão.
O novo julgamento ocorre após a condenação recebida em 7 de outubro, quando ele foi sentenciado a mais 30 anos de reclusão pelo assassinato de Mikaele Leite da Silva, de 21 anos, no Vergel do Lago.
A sessão desta quinta-feira é o décimo julgamento do réu por homicídios atribuídos a ele na capital alagoana.
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